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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

6 dicas de conservação básicas para seus livros


Este post é um misto de tudo o que eu aprendi tendo livros em casa e com as aulas de Preservação na faculdade. Caso um dia minha professora leia este post, espero não falar besteira. Para não o correr o risco e também não complicar muito, vou dar dicas básicas e prática, considerando que também não me apeguei a explicações muito técnicas. O essencial que você precisa fazer, é isto que está aqui. 

  • Primeiro: eles vão amarelar, sim, porque o papel acidifica. Conforme-se.
  • Segundo: você é do tipo "preciso conservar tudo" ou "vou aproveitar o jeito que eu quiser porque eu paguei"? Para sua sanidade e organização, examine seus hábitos antes de aderir qualquer coisa que não se encaixe na sua realidade.
Então, partindo do princípio que você já limpa sua estante e não deixa acumular poeira...

1- Não os deixe espremidos
Cada vez que você tentar pegar um, haverá chance de cair, sujar, arranhar aquela capa. Deixe-os de forma confortável na prateleira, vai te ajudar também. Além disso, sendo papel um material orgânico tão fácil de envelhecer, é necessário que ele "respire" para que se mantenha estável e dure muito mais.

2 - Respeite sua estante
Do que adianta ter um móvel específico para seus livros se você não cuida dele? Principalmente, se for MDF e não uma madeira forte e durável. Ao limpar tome cuidado com os produtos que usa, pano molhado, umidade excessiva do ambiente que você deixa a estante. Caso seja de metal, mais um motivo para tomar cuidado com a umidade! Enfim, observação é a chave. Dessa maneira você dá mais valor ao dinheiro gasto no móvel, além de aprender o que se encaixa mais nas suas necessidades, se precisar comprar outro.


3- O SOL
Papel e sol são inimigos. Não deixe a luz natural bater diretamente nos seus livros, mas também não aconselho fechar todas as janelas do cômodo, afinal a ventilação é extremamente necessária pra combater a umidade. O ideal mesmo seria trocar o local de armazenagem, mas sabemos que nem sempre é possível. Portanto, invista em cortinas. Apenas certifique-se que o tecido não acumula muita poeira, pois seria outro problema para você administrar. 

4- E a luz artificial?
Ah, a luz artificial também influencia, só que menos. Normalmente, o problema maior é caso ela esquente o ambiente, como as antigas lâmpadas faziam. Quanto mais fria, melhor. Você usa luminária ou abajur? Neste caso, é bom prestar atenção na proximidade deste foco de luz nos seus livros, pois este aumento de temperatura e a própria radiação em si vão interferir na preservação deles.

5- Cuidado com os post-its
Recentemente, postei no Instagram a minha preocupação ao ver vários dos meus livros com a marca do adesivo dos post-its nas páginas. Descobri por conta disso que aqueles de papel, com cola fraca e apenas na pontinha, são os que menos danificam, justamente pela aderência mais sutil. 

6 - Prioridades: livro x objeto de estudo
Agora, nada disso serve se você não estabelecer prioridades. Por exemplo, a minha bíblia é cheia de rabiscos, post-its e anotações: não vou apagar tudo. Pra mim, a prioridade é o estudo, não a conservação deste objeto. Não sacralize seus livros, apenas escolha aqueles que merecem mais carinho. Quanto aos outros, aproveite-os da maneira que achar melhor e não se culpe por isso.

É isto! Espero que tenha sido útil pra vocês. Até o próximo post!

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O que VOCÊ pode fazer para valorizar cultura no Brasil

Pinterest. Earth = Planeta Terra. Art = Arte

Depois do que aconteceu com o Museu Nacional, ficou a pergunta: tamanha comoção reflete realmente o valor que damos para cultura no Brasil? Quando consideramos as desigualdades sociais, percebemos outra dificuldade no acesso a estes conhecimentos. Além disso, não podemos esquecer da péssima educação da maior parte da população. Por isso se você já está lendo esta lista, use essa oportunidade para ajudar outras pessoas e para valorizar este seu momento ainda mais.

1 - 12ª Primavera de Museus: uma chance para conhecer as instituições culturais.
É HOJE! Dos dias 17 a 23 de setembro. Eventos nos museus do Brasil inteiro, de norte a sul. O tema deste ano valoriza a educação nos museus. Achei extremamente necessário e pertinente. Depois do que aconteceu no Museu Nacional, aproveite e valorize o museu mais próximo de você. No site do Ibram você encontra todos os detalhes, clique aqui. Lembrando que durante semana normalmente os museus possuem dias gratuitos. Aproveite para conhecer o que está sendo produzido a longo prazo também.

2 - Literatura nacional: impulsione esta indústria
Impossível falar de educação e cultura sem falar de incentivo a leitura.  O mercado editorial no Brasil é relativamente pequeno e restrito. Se você pensar na quantidade de autores nacionais independentes, este fato se torna ainda mais evidente. As editoras têm margens estreitas para apostar em novidades, normalmente lançando livros que já fazem dinheiro no exterior. Mude isso lendo, acompanhando e divulgando a nova geração de escritores do Brasil

3 - Cientistas brasileiros e seus projetos
Ainda pensando na diferença que uma boa divulgação faz, tente se informar quanto aos campeonatos, olimpíadas, torneios de ciência em que brasileiros estão fazendo a diferença aqui e lá fora. Quando souber de algo, compartilhe! Leia nossos teóricos sobre assuntos que te interessam. Existe pesquisa e ciência no Brasil, sim! Sites de universidades e museus são um bom começo para você mergulhar neste universo, além de diversos youtubers que produzem conteúdo sobre educação. Indico o BláBláLogia e a Débora Aladim, cada um no seu estilo. No último post do blog também dei mais dicas.

4- Música brasileira além da mídia
Gosto não se discute, mas há muito mais música brasileira do que sertanejo universitário, funk e pagode. Normalmente, estes estilos são absorvidos rapidamente pela mídia e estão cheios de influências do mercado internacional. Escutar estes estilos não é errado, mas que tal procurar mais sobre a história da música brasileira? Ou então, usar serviços como o do Spotify para descobrir os mais diferentes tipos de artista? Mergulhe! 

5 - Instagram e Facebook: use os algorítimos a seu favor
Pegue seu celular agora e responda: quantas pessoas você segue? Agora, quero que liste mentalmente os perfis que você mais curte ou assiste. Duvido que seja metade do total que você pretendia acompanhar. Isso acontece porque as redes sociais moldam seu perfil de entretenimento, logo, se você quer muito ver algo novo precisa utilizar isto a seu favor. Acompanhe os perfis de museus, centros culturais, autores, bandas independentes, universidades. Enfim, transforme seu feed em algo útil e informativo.
FACEBOOK: Procure e marque "tenho interesse" nos mais diversos eventos de instituições culturais. Com o tempo, todo evento destas páginas aparecerá no seu feed. Outra dica é para quando você curtir uma página no Facebook. Escolha se quer as publicações aparecendo normalmente no seu feed ou se deseja vê-las em destaque. Além disso, pode acionar as notificações.
INSTAGRAM: Passe mais tempo nos stories dos perfis que aparecem menos pra você, assim essas atualizações assumirão as primeiras posições na lista de stories a serem assistidos. Também use a função "salvar" para marcar todo conteúdo relevante. Dá um pouquinho de trabalho, porém na função de busca, mesmo que já esteja seguindo, procure várias vezes ao longo de alguns dias o perfil que deseja receber mais atualizações. E faça uma faxina na sua conta. Exclua os perfis que são completamente desnecessários?

6 -  Converse! Incorpore estes valores
 É importante que falemos destas questões, que elas se tornem parte do cotidiano para que não as esqueçamos. Comente com seus amigos e família tudo de interessante que aprender. Ah, e siga o perfil do ECC no Instagram, lá sempre tento levantar esses debates e adoraria sua participação.

Lembre-se sempre: a cultura está em você. Valorizar a educação deve partir de todos nós. Somente incorporando e dando valor a estas questões poderemos cobrar melhores orçamentos, mais transparência e incentivo às essas áreas. Espero que tenham gostado. Até o próximo post! Achou que eu deixei algo de fora? Diz pra mim que eu faço uma parte 2 com as sugestões!

domingo, 20 de maio de 2018

Você valoriza a sua história?









Oi, pessoal! Quero aproveitar esta semana de conteúdo especial e bater um papo com vocês sobre memória. Acho que pelo título do texto vocês já devem estar imaginando onde quero chegar. Vamos lá?

Onde você nasceu, os lugares que frequentou, os amigos que fez, os presentes que ganhou... Cada elemento desses, entre muitos outros, compõem o seu repertório. Aquilo que te faz enxergar o mundo da maneira que só você enxerga. Somos diferentes, e nossa educação (em casa, na escola, na vida) e os ambientes onde estamos, influenciam nisto. 

Agora, me diz uma coisa: por que você não vai ao museu? Quando vai, o que te motiva? Bem, existem uma infinidade de fatores, mas eu quero me restringir a identificação. Para ajudar, um exemplo: há um ou dois anos, houve no Rio de Janeiro uma exposição gratuita de aniversário do antigo programa Castelo Rá-Tim-Bum. Foi um sucesso! Todos foram, inclusive eu e minha família. É necessário ressaltar que o espaço onde ela ocorreu possui exposições gratuitas o ano inteiro, sempre renovando-se, embora receba picos de público em situações bem específicas como esta. 

Vamos avançar um pouquinho: quando as pessoas viajam para Paris elas pre-ci-sam ter a foto com a Monalisa, que está no Louvre. Bem, mas muitas não têm a mínima vontade de passear nas exposições do Brasil. "No Louvre é melhor, tem muito mais coisa", você pode dizer. Sinto te informar: as instituições brasileiras, apesar dos recursos escassos, são flexíveis e criativas, cheias de atividades e conteúdo incrível. 

Também podem dizer: "Se eu não for no Louvre, é como se não tivesse ido a Paris. Todos vão lá." Agora você chegou no ponto! Identificação. Pertencimento. Cultura de massa. Caso você seja familiarizado com outros aspectos desta discussão, aviso minha intenção não é aprofundar-me em um debate político ou ideológico sobre cultura. Para isso, acho melhor um post exclusivo para ampliar certos conceitos. Hoje, quero que você olhe para sua casa e perceba o universo incrível que tem a sua volta. Simples assim.


Uma foto com sua mãe, o álbum de família, os vídeos do Instagram, seus livros da escola que ainda estão guardados. O bairro que você cresceu e as músicas que ouviu. Tudo isso importa. O macro é composto por indivíduos que compartilham (ou não) vivências. Ninguém é neutro ou objetivo, pois estamos permeados de diversas circunstâncias.

Muitos teóricos ressaltam o ser humano e os objetos como um só. Nosso cotidiano é permeado pelos usos que atribuímos a eles, e as coisas tornam-se partes importantes de nossas ações individuais e coletivas.  Não somos partes independentes e desconexas, pelo contrário. E isso se aplica aos saberes intangíveis também.

Você valoriza a sua história? Quando temos consciência de quem somos, por consequência enxergamos melhor aquilo que ainda precisamos fazer.  Não vamos em museus porque muitas vezes nosso repertório educacional não trouxe condições para que entendêssemos que aquilo faz parte da nossa construção como coletividade, ainda que traga representações ultrapassadas ou careça de histórias ainda renegadas, estes aspectos poderiam ser ressignificados.

Não gostamos de museus porque eles, na maioria das vezes, possuem o estereótipo de vindos de um passado muito distante, como cápsulas do tempo. Embora até uma "cápsula do tempo" não seria algo inerte, porque você já teria entrado nela. O espaço já teria te recebido, e portanto, haveria se influenciado. Como diz a música, "nada do que foi será".

A memória é construída e vivida pelas pessoas. O museu não é (e não pode ser) estático, ele está no século XXI. Da mesma forma, a sua história não é apenas aquilo que está ou possivelmente entrará nele. "Você valoriza quem você é?", seria uma pergunta boa para título também.

Espero que esta conversa nunca se acabe! Gostaria muito de ouvir a opinião de vocês. Se ainda não segue o blog nas redes sociais, os links estão todos na barra aqui ao lado dos posts. Amanhã é segunda-feira, então voltamos a programação normal do blog.

Aguardo vocês!

sábado, 19 de maio de 2018

Sobre as diferentes vocações na Museologia


Olá, pessoal! Nossa série de posts chegou em um ponto crucial. Já conversamos sobre o curso, sobre algumas curiosidades e fatos da área, além de experiências. Hoje, resolvi abordar a conversa que a Museologia tem com outros campos do conhecimento. Somos habituados a "escolher um lado", desde o ensino médio. Humanas ou Exatas? Linguagens ou Biológicas? Tenho me convencido cada dia mais que os conhecimentos não podem ser organizados em caixinhas.

A Museologia lida com Cultura. E afinal, o que é cultura? Para este contexto, vou utilizar a definição que a considera como conjunto de características biológicas, condições sociais, condições ambientais; costumes e perspectivas; comportamento apreendido e transmitido. Para exemplificar: temos museus sobre diversos assuntos: científicos, históricos, artísticos, enfim... uma infinidade de assuntos são abordados dentro de perspectivas museais. Na minha turma tem gente que queria Arquitetura, História, Pedagogia, Administração, Cinema... Enfim, muitos interessem que conversam!

Pensando nisso, aproveitei e chamei a Júlia! Ela faz comigo o curso, mas tem uma área de interesse pouco provável para o senso comum em relação a Museologia: biologia! Confiram o depoimento dela:

O curso de museologia já era uma opção, tendo em vista que queria biologia já para poder trabalhar na divulgação científica como o Museu Nacional ou o Ciência Sobre Tendas, além da parte de pesquisa e a prática. Com um acaso da vida (chamado "nota de corte do SISU"), acabei entrando na minha 2ª opção, onde nas primeiras aulas fiquei apaixonada não só pela faculdade em si, mas também as aulas que tive logo no 1º período e as oportunidades que a escola do curso proporcionam ao nosso aprendizado, além de conhecer mais sobre a área de trabalho e as diversas ações de um museólogo. Temos aulas voltadas para assuntos de biologia e patrimônio natural, que já era um grande interesse meu e assim dá para perceber a interdisciplinaridade que se constrói a museologia. Mudei bastante a minha visão de mundo e espero poder aplicar isso nos projetos acadêmicos e futuramente ajudar nessas relações entre o indivíduo, o objeto/espaço musealizado e o local de aprendizagem.

E agora, conheçam a Thamires! A formação técnica dela é em Administração:

"Quando pensamos nas possibilidades de áreas sempre se imagina que as pessoas gostem de coisas interligadas ou variações de uma mesma função, mas nem sempre é assim, fora quando podemos achar características que se complementam nas áreas mais distintas, e foi assim que aconteceu comigo com a Museologia e a Administração. Ao entrar no Ensino Médio e me deparar com escolhas do que seguir, busquei algo que fosse semelhante ao meu perfil e gostos, sabia que gostaria de lidar com pessoas e com projetos, e foi ai que surgiu a administração, me identifiquei de todas as formas e é uma área que me ajuda muito ate hoje em diversas situações, tanto pessoais quanto profissionais, me ajudou a me moldar e a pesar escolhas, porém, não era ela que me completava no que eu queria atuar por toda uma vida, fora passar mais anos vendo novamente tudo que já tinha visto no Técnico. A área da cultura sempre esteve presente na minha vida, desde pequena minha mãe me incentivava a buscar e me permitia acesso mesmo que não fosse de seu gosto, sempre a favor de me transmitir o máximo que pudesse, e era ali que eu me via, conseguindo juntar hobbies, gostos e situações que eu adoraria lidar no dia a dia, seja por prazer pessoal e seja somente pelo profissional. Por mais que nao fosse o esperado por todos, que eu não tivesse seguido na administração mesmo ou ido cursar Direito como era o desejo deles, eu sabia que não me sentiria realizada em algo que não fosse somente da minha vontade, e foi buscando essa realização que decidi pela museologia antes mesmo do ano de vestibular e sem nenhum apoio. E hoje quando me perguntam, e o que tem haver uma área com a outra, como você saltou de Administração pra Museo, eu já nem as enxergo com tanta diferença. Duas áreas que me completam e trabalham em conjunto, pelo menos na minha visão, e principalmente após ter feito o curso de Plano Museológico para administração de museus, que é nada mais nada menos que os planos de negócios que passei o meu ensino médio fazendo, só que focados para área dos meus sonhos."

E por último, mas não menos importante, leiam o depoimento do Renan!

No inicio eu queria cursar Cinema e Audiovisual, mas ao longo do meu pré-vestibular eu conheci a Museologia e a grade me chamou a atenção. Nos primeiros períodos foi um pouco difícil acostumar com o ritmo do curso, a carga de leitura e com o turno por ser um curso integral, agora no terceiro período já tenho uma noção de qual área quero seguir, e é o que me mantém no curso. A área de Conservação e restauração tem graduação própria, mas para mim a museologia é a base para entender todo o funcionamento da arte e como ela funciona nos museus. Ainda tenho muita vontade de seguir o caminho do audiovisual, pretendo fazer uma segunda graduação, mas tudo depende do decorrer da museologia para decidir qual, Cinema ou Conservação.


Espero que tenha ajudado vocês a expandir os horizontes! Até amanhã!

sexta-feira, 18 de maio de 2018

7 fatos que descobri cursando Museologia


Já falamos sobre a origem da área, como a formação está atualmente e algumas histórias polêmicas. Hoje eu vou abrir meu coração! Quando eu entrei na faculdade de Museologia nunca imaginei que um curso que lida com mediação cultural, educação e tantas outras áreas teria tantas peculiaridades. Ao longo deste um ano e meio, a gente vai se familiarizando com situações e organizações muito próprias da área, de (quase) nenhum conhecimento público. Até agora.


1 - ICOM, ICOFOM, IBRAM
Nem sabia que essas organizações existiam ants de entrar na faculdade. Já mencionei um pouco sobre isso neste post, mas hoje é o dia de você sair daqui fera, sabendo tudo das esferas públicas. 

ICOM: a sigla é em inglês, mas traduzindo fica "Conselho Internacional de Museus'. O ICOFOM é o Comitê Internacional de Museologia, alguns consideram o "braço teórico" do primeiro. E o Ibram é o Instituto Brasileiro de Museus, sujeito ao Ministério da Cultura.


 2 - É muito raro um aluno de Museologia ter desejado entrar neste curso
A maioria cai de paraquedas. Normalmente, a nota no Sisu não alcançava o curso dos sonhos, mas para não ficar sem ocupação ou desperdiçar o Enem, arriscam a Museologia. Muita gente sai, mas também muitos se descobrem na área. Este é o meu objetivo ao falar do meu curso: quem sabe você aí que está me lendo não pode ser um futuro museólogo?

3 - Os grandes museus publicam, pesquisam e divulgam seu material.
Museus não são apenas o que você vê na exposição. Esta é apenas a ponta do iceberg, e abaixo dela você encontra equipes, reserva técnica, eventos e atividades, mas principalmente, pesquisa científica. Quero ressaltar que estou me referindo especialmente aos grandes museus, com recursos razoáveis. Se você for no site do Louvre, British Museum, Museu Histórico Nacional, Museu da República, MASP - entre tantos outros que ficaria o post inteiro citando -, vai encontrar uma variedade imensa de pesquisa produzida.

4 - Todo mundo se conhece (ou já ouviu falar do outro)
Eu tenho professores que estão/estiveram em equipes em praticamente todos os museus que eu vou. A Museologia é uma área recente, em expansão. O mercado de trabalho não é tão escasso como muitos pensam, mas também não é extraordinariamente extenso. 


5 - Museus não guardam tudo
Não são depósitos. Museus que não tem política de descarte ou doação enfrentam sérios problemas. O trabalho do museólogo pode lidar com estas questões: o que é relevante ser guardado? Que histórias devem ser divulgadas? Por isso, apesar de muitos não nos conhecerem, nossas decisões repercutem na sociedade de maneira muito clara.

6 - Somos mais necessários do que você imagina
É lei, galera: segundo o Ibram, existem 3.200 instituições museológicas no país todo (cadastro de 2010) e todo museu no Brasil deveria ter um museólogo. Normalmente, profissionais de outras áreas acabam assumindo a direção das instituições. A situação é problemática porque aqueles que estudam Museologia possuem uma formação teórica e prática específica. A maneira que um antropólogo, historiador, professor ou biólogo enxerga os objetos é diferente do ponto de vista teórico de um museólogo. Além disso, organizações privadas também podem possuir centros de memória particulares, famílias e artistas podem preocupar-se na organização de seu acervo, enfim... Estamos em mais lugares do que a maioria pode enxergar.

7 - "Museologia? Que legal, vai trabalhar com música!"
NÃO, NÃO e NÃO. Descobri que assim como eu, muita gente não teve contato com a existência da área durante a vida. Que fique claro agora e para sempre que Museologia não é sobre música. 
Desde já agradeço. 

Esta lista é um pequeno fragmento de como tem sido minha experiência no curso. Espero que estejam gostando e compartilhando a série com seus amigos, assim todo mundo pode conhecer um pouquinho mais deste universo. E lembre-se: a semana ainda não acabou! Até a amanhã!

quinta-feira, 17 de maio de 2018

3 artefatos com histórias polêmicas

Diferente do que muita gente pensa, o museu  não é só lugar de coisa velha. Existem diversos tipos: históricos, artísticos, científicos, museus comunitários, centros culturais, virtuais, entre outros. Além disso, possuem narrativas e objetivos múltiplos. Desde o início no séculos XX, profissionais tem se voltado cada vez mais para a importância do público e discutido sobre a troca entre instituição e a sociedade. 

Pensando nisso, resolvi trazer três objetos com histórias tumultuadas e polêmicas. Eles envolvem a discussão sobre repatriação; afinal, muitos museus que possuem coleções imensas e diversos objetos que vieram como espólio de guerra, roubo, negociações políticas... Enfim, situações desconfortáveis. 

E por que isso me interessaria, Rayssa? É importante que a gente conheça o nosso patrimônio, aquilo que de alguma forma interfere na nossa identidade como nação. Além disso, são questões éticas e de poder que envolvem estas discussões. Elas te afetam, sim!

Eu conheci as histórias abaixo durante esses três semestres de faculdade, procurando reportagens e vendo alguns documentários indicados pelos professores. Caso você se interesse por mais detalhes, é super fácil achar diversas matérias sobre o tema, principalmente no que se refere ao comércio ilegal de obras de arte. As duas últimas foram propostas pelo meu professor em sala no 1º período, como um tribunal: alguns defenderam a devolução, e outros, a permanência do bem na instituição atual. Foi uma atividade muito interessante!

1. Manto Tupinambá:

As antigas colônias tiveram muito de seu patrimônio levado para a Europa. Ter coleções "exóticas" era uma forma de demonstrar o domínio da metrópole sobre o território. Há apenas seis exemplares preservados no mundo destes mantos, que ainda trazem quase intactos os trançados de fibras naturais e penas vermelhas de guarás e azuis de ararunas.

O mais conhecido e conservado deles está no Nationalmuseet, em Copenhague, capital da Dinamarca. O exemplar foi exposto no Brasil em 2000, nas comemorações dos 500 anos do descobrimento pelos portugueses. Foi nessa ocasião que povos que reivindicam ser herdeiros dos tupinambás, em especial os Tupinambá de Olivença, na Bahia, passaram a requerer o retorno do manto. Por e-mail, o Nationalmuseet disse à BBC Brasil que o item consta de registros do museu que datam de 1689 e admitiu que não há "conhecimento sólido" sobre sua procedência.

2. Canhão El Cristiano:
Agora é a vez do Brasil ser colocado na situação polêmica de maneira mais enfática. Este canhão paraguaio foi um espólio de guerra brasileiro, feito a partir do derretimento de diversos sinos de igrejas por falta de material (por isso o nome, "o cristão"), durante a Guerra do Paraguai. Ele está no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.


 O governo do Paraguai reivindica a devolução, considerando-o um símbolo de heroísmo durante a desvantagem paraguaia na guerra. Em 2010, circulou esta matéria na Globo (clique aqui), afirmando que ele seria devolvido, mas não encontrei informações mais recentes que indiquem algum avanço nas negociações. 

Este é um caso muito claro de como o patrimônio cultural nos afeta. Eu te desafio a ler pelo menos os 5 primeiros comentários no vídeo: ambos os lados deixam aflorar suas paixões, fazendo com que a gente pense também se as decisões culturais tomadas pelas autoridades e técnicos nos representam como cidadãos.

3. Frisos do Partenon (ou "Mármores de Elgin")
Este caso é um pouco mais distante da nossa realidade, mas também é famosíssimo. Temos Grécia de um lado e o Reino Unido de outro. Eles foram levados há 200 anos para Londres pelo Lord Elgin, quando a Grécia era dominada pelo Império Otomano, que vendeu os frisos ao British Museum quando entrou em falência, instituição que os possui até hoje. Ao lado do Partenon já foi construído um museu para estas peças, como uma pressão ao governo britânico para realizar esta devolução. Para o governo grego, a devolução seria uma correção diplomática e honrosa a um grave erro do passado e restauração de um símbolo nacional. 


Os contra-argumentos são diversos: o Museu Britânico diz que considerando as guerras pelas quais a Grécia passou, teria sido uma grande sorte que os frisos tenham estado conservados em Londres ao longo desses 2 séculos. Além disso, a Grécia ainda está sob uma crise financeira, fazendo com que sua aptidão para cuidar dos artefatos seja questionada, além de reforçar a importância global dos mármores, considerando que não há problema dele não estar em sua localização de origem. O impasse continua sem nenhuma indicação de desistência por ambas as partes.

Além destes casos envolvendo repatriação de bens, de vez em quando surge algo nos jornais sobre falsificação no mercado das artes ou vendas sem respeito às diretrizes éticas. Isso é mais comum do que se imagina, principalmente entre colecionadores. Muitas vezes os museus possuem em seu acervo peças de origem duvidosa e descobrem a situação muito tempo depois do ocorrido.

Pessoal, é isto por hoje! Espero que essas histórias tenham te deixado mais atento e curioso quanto as decisões referentes as culturas que nos envolvem todos os dias! Gostaria de agradecer a @mmmlivros, parceira do Instagram do blog. que deu algumas ideias que ajudaram esta postagem.  Até amanhã!

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Museologia: o curso, duração, matérias, curiosidades

Oi, gente! Hoje é dia de mais um post sobre Museologia. Estou no 3º período, e depois de vocês terem ficado curiosos lá no Instagram (@estacaocomcor), resolvi que já passou da hora de fazer este diário de universitária. Caso você não saiba o que é Museologia, leia este post primeiro e depois volte para cá.

Meu curso é integral, ou seja, oficialmente manhã e tarde com possibilidade de pegar/trocar matérias no noturno. Possui duração prevista para 4 anos e conta com estágio obrigatório,  apresentação de monografia e cumprimento de horas complementares. O curso não existe em todos os estados do Brasil. Você pode encontrar na UnB, UFS,UFOP, Puc-Campinas, FAECA Dom Bosco, UFPA, UFMG, UFBA, UFPE, UFRGS, UFG, UFSC, Unirio, Unibave, UFRB. Lembrando que além da graduação já existem mestrados, doutorados e pós-graduações na área. Já vi profissionais de Comunicação, Biologia, Design, entre outros, unindo sua formação com a Museologia.


1º PERÍODO
A grade era uma salada das Ciências Humanas. Eu tive Ciência da informação, Introdução à Filosofia, Introd. à Sociologia, Introdução a Metodologia Científica e Antropologia Cultural. Pra nos apresentar o que é o curso e algumas bases teóricas, Introdução à Museologia e Museu, Memória e Patrimônio. A grande maioria dos professores optou por abordagens bem leves, passando trabalhos, resumos e fichamentos como avaliação. De uma forma geral, percebi que minha turma ficou bastante ansiosa para o semestre seguinte, para sair destes conteúdos muito amplos e partir para a Museologia em si. 

Além disso, inseriram a optativa Heráldica (estudo dos brasões, basicamente) como sugestão, mas muitos trancaram. Foi minha disciplina favorita! É bem específica, e para uma caloura que caía de paraquedas, foi interessante entender mais o papel do museólogo quanto a pesquisa e o cotidiano lidando com acervos. Ela faz parte dos "Tópicos Especiais", que inclui Numismática (moedas), Indumentária (vestimentas, história das roupas) e Mobiliário (móveis). 

2º PERÍODO
Finalmente, agora éramos nós que arrumaríamos nossa grade! Eu mantive o que pude do sugerido pelo fluxograma, mas como uma das matérias obrigatórias deste período foi oferecida apenas à noite, resolvi não fazer e coloquei outra pra dar um equilíbrio. Fiz 8 matérias, assim como no 1° período. Apesar desta semelhança, ele já começou diferente: na última semana de aula fiz um cursinho sobre igrejas barrocas, visitando algumas delas. Fiquei encantada!

Minha grade teve uma disciplina para a Museologia teórica (os pensadores, as definições do campo, as discussões quanto ao método...), outra para entender conceitos da profissão e da atuação do museólogo na conservação, Análise da Informação, Epistemologia, História Arte Ocidental I, Antropologia Cultural no Brasil e História do Brasil I. A optativa que escolhi foi História da América I, que abordava a América colonial (período que eu amo muito); fiz com a turma do curso de História. 

Foi muuuito melhor do que o 1º período. Eu fiz um trabalho sobre a teórica Waldisa Rússio que me inspirou muito quanto a profissão. Nas disciplinas de História, li textos incríveis.  Em Análise da Informação aprendemos um pouco mais sobre documentação (uma área extremeamente importante e repleta de carências), um pequeno anúncio do que será uma matéria que terei no 4º período. 


E AGORA? Estou fazendo 6 matérias; queria manter a carga do último ano, mas os horários oferecidos nesse semestre me complicaram um pouquinho. Eu levo 2 horas da minha casa até a faculdade, fato que influencia muuuito nas minhas escolhas pro semestre. Também estou participando como voluntária de um projeto de pesquisa sobre a história da área. 

Como vocês podem ver, Museologia é extremamente interdisciplinar.  Os profissionais da área não estão presos a atuar em museus, diferente do que mitos pensam. É uma Ciência Social Aplicada com muitas possibilidades. É um campo diretamente ligado a políticas públicas culturais, educação, divulgação da ciência e democratização do conhecimento, que une teoria museológica (que está em constante transformação) e atividades práticas.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Museologia: formação do campo no Brasil


Para comemorar a Semana de Museus e para que você aprenda mais sobre o mundo dos museus e da Museologia, teremos post todos os dias! No post de ontem eu já expliquei como vai funcionar, e hoje resolvi trazer como o campo se formou no Brasil. Vale ressaltar, de forma extremamente resumida. 

O nome não era "Museologia", mas sim Curso de Museus, reforçando o caráter específico da formação. A ideia de um curso assim foi inovadora para a época e relaciona-se com a criação do MHN (Museu Histórico Nacional), idealizado pelo cearense Gustavo Barroso (guarde este nome!). Ele era jornalista, escritor e advogado engajado na causa nacionalista e regionalista. Foi inaugurado em 1º de outubro de 1922. Nessa época, as experiências de exposição, conservação e educação ainda estavam iniciando no Brasil.

Foi um momento da história conturbado e intenso, ideologicamente falando; modernismo, Coronelismo... lembrem-se das aulas de história agora.  A Revolução de 30 trouxe incentivo ao museus, sendo uma forma de construção da "identidade nacional". No século XIX isso já havia sido feito pela monarquia, e Getúlio Vargas repetiu a dose. Por conta deste contexto, as políticas de patrimônio estavam sendo incentivadas e Barroso é um exemplo disso: ele publicava vários textos com ênfase no folclore e história militar, além também se envolver nesta área como deputado.


O Curso de Museus foi oficializado em 7 de março de 1932. Foi o primeiro das Américas e é um dos mais antigos do mundo. O objetivo principal era capacitar os profissionais que fossem trabalhar no MHN, principalmente aquele que assumisse como 3º oficial do museu. As matrículas abriram em abril daquele ano, e a primeira turma começou em 4 de maio. Durava 2 anos e inaugurou o ensino da Museologia no Brasil. Conservação, História da Arte, Arqueologia, História do Brasil, Numismática (estudo das moedas) e Sigilografia (estudo dos selos). Aqueles que se formaram na primeira turma encontraram um campo inteiro para ser explorado, com espaço para muita pesquisa museológica.

A ideia era dar uma formação geral, mas em 1944 houve uma Reforma com o objetivo de tornar a grade mais multidisciplinar. As disciplinas Arqueologia no Brasil, Arte Indígena e Arte Popular entraram. Além disso, agora o ingresso se dava por vestibular e a duração aumentou para 3 anos. Apesar de num primeiro momento só terem havido professores homens, muitas mulheres compõem a história da Museologia, inclusive com uma linhagem de diretoras no MHN, só pra exemplificar.

Paralelo a tudo que estava acontecendo, em 1948, dois anos após a criação do Conselho Internacional de Museus – ICOM, é criado o comitê nacional do ICOM no Brasil. Entre os seus fundadores estavam Regina Real e Lygia Martins Costa entre outros profissionais formados pelo Curso de Museus.


Durante os anos de 1960-1970 diversas Reformas e medidas foram fomentadas para que o Curso obtivesse mais caráter universitário. Em 1977, o Curso do MHN passa oficialmente a se chamar “Curso de Museologia”. Enfim, em agosto de 1979 ele é transferido para a Fifierj, Federação das Escolas Federais Isoladas do Rio Janeiro (atual Unirio), que também abrigou vários outros cursos. Therezinha de Moraes Sarmento foi a primeira diretora da Escola de Museologia, criada em 1991.

Bem, depois de tudo isso, amanhã vou contar um pouco sobre o que eu estudo atualmente!  Eu usei como base o artigo de Ivan Coelho de Sá (museólogo, historiador e professor na Unirio), publicado em 2007, nos Anais do Museu Histórico Nacional, que está disponível  biblioteca digital do museu, e a linha do tempo do COREM

segunda-feira, 14 de maio de 2018

#MUSEOPOSTS: Semana de Museus 2018


Olá, pessoal! Hoje se inicia a Semana de Museus, promovida pelo Ibram/MinC (Instituto brasileiro de museus). Aproveitando os pedidos se vocês mês passado no Instagram, resolvi aproveitar estes sete dias de eventos em diversas instituições do Brasil para convidar você a entender um pouquinho mais sobre Museologia. Caso você não saiba o que é isso, clique aqui. Quando eu entrei na faculdade escrevi um pouquinho sobre a área, as coisas básicas que você precisa saber.

Teremos conteúdo novo todo dia até 20 de maio, que é quando acabam as programações. Ah, e os posts vão sair sempre às 11H. 

Você vai entender a história da área, algumas histórias polêmicas e curiosas, minhas experiências e de outras pessoas na faculdade de Museologia. Meu objetivo é que você se relacione com a área da cultura como se relaciona com a Medicina, Direito, Engenharia... Algo comum, mas também necessário. Afinal, memória e cultura não são setores isolados do resto do mundo e da sua vida. Além disso, todos nós temos nossos papéis neste vasto mercado de trabalho. 

A partir do dia 21 você poderá usar este post como sumário. Todas as postagens da semana estarão listadas aqui, facilitando na hora de você mandar para aquele seu amigo que vai prestar vestibular mas nunca ouviu falar em Museologia ou aquela colega de trabalho que ama matemática e acha que as Humanas são as coisa remota na vida dela.

Espero vocês aqui, hein. Até amanhã! 



Sumário #MUSEOPOSTS

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

3 museus pra conhecer no Rio de Janeiro

O ICOM (Conselho Internacional de Museus. Sabia da existência dele? É super importante) define museu como uma instituição permanente sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o patrimônio material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e deleite. Esta categorização está sendo posta em debate até 2019, mas enquanto ela não muda, resolvi sugerir pra vocês museus da cidade do Rio de Janeiro que vale a pena conhecer. 

Como estudante de Museologia, convido você a tirar este esteriótipo de "lugar que guarda coisa velha" e aproveitar os museus, grandes ou pequenos, da sua cidade. Sabia que maioria tem dias grátis? Basta procurar! Escolhi apenas 3, com diferentes estilos de exposições, pra instigar a curiosidade. 


MAR - Museu de Arte do Rio
Este museu é recente, foi inaugurado em 2013. Assim como o Museu do Amanhã (ainda não visitei), que fica bem ao lado, tem entrada grátis às terças-feiras. Os dois são símbolos das obras realizadas por conta das Olimpíadas realizadas ano passado no RJ. Resolvi indicá-lo por conta dos eventos e debates, principalmente com moradores, que o tornam um espaço tão bacana. Além disso, suas exposições são temporárias, por isso visite o site e se informe sobre o que está acontecendo. A construção também é bem interessante: mistura um prédio moderno, construído, e outro antigo que já existia.
Endereço: Praça Mauá, 5 - Centro, Rio de Janeiro. Praça Mauá, 5 - Centro, Rio de Janeiro


Museu Nacional - UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Um excelente motivo para você visitá-lo é o seu aniversário de 200 anos. Segundo o site, é a mais antiga instituição científica do Brasil e o maior museu de história natural e antropológica da América Latina. Criado por D. João VI, em 06 de junho de 1818 e, inicialmente, sediado no Campo de Sant'Anna, serviu para atender aos interesses de promoção do progresso cultural e econômico no país. Originalmente denominado de Museu Real, foi incorporado à Universidade do Brasil em 1946, atual UFRJ. É o típico museu clássico.
Ele fica na Quinta da Boa Vista, São Cristóvão. Vale a pena conhecer o Zoológico também, que apesar de estar enfrentando problemas, é um bom passeio. Fazer um piquenique na Quinta é um programa imperdível e super carioca!


Museu da Vida/FIOCRUZ
Esta instituição, por estar sob a direção do conhecido e respeitado laboratório da FIOCRUZ, dedica-se a mesma área de atuação: promoção da saúde e divulgação científica. Somado a isso, por estar entre grandes complexos de favela, desde a sua fundação realiza trabalhos e ações com os moradores nestes e outros territórios de influência. Vale a pena tirar um tempo pra ler sobre as iniciativas sociais do museu.Os dados pra visitação estão neste site, assim como seus projetos. 
Endereço: Av. Brasil, 4365, Manguinhos

Espero que tenha deixado vocês curiosos! Até o próximo post, pessoal!

sábado, 3 de junho de 2017

O que é MUSEOLOGIA?


O Sisu passou e quem fez Enem ano passado encerrou um ciclo. Para o bem ou para o mal, acabou. Agora, uma nova leva de estudantes chega no meio do ano e alcança o auge da época de estudos para o vestibular. Aquele momento mágico em que a rotina já foi colocada em prática com toda a força, porém sem o cansaço do fim de ano. É pra você que está decidindo sua profissão que eu venho apresentar mais uma alternativa. Minhas opções eram jornalismo, letras (grego e italiano, é bom ressaltar) e história. A vida é feita de surpresas e eu fui parar em museologia. Talvez você conheça, mas a maioria com certeza não. É por isso que estou aqui!

Como descobri o curso? 
Em janeiro o Sisu teve seu período ampliado por conta de problemas de acesso. Minha primeira opção era Comunicação Social na UFRJ, e estava alternado a segunda entre os dois cursos de Letras que citei, também da UFRJ. Com a subida que a nota de corte teve no primeiro, todos os dias eu procurava novas opções. Em nenhum momento pensei em desistir do jornalismo, mas quando você entra no sistema dá muita vontade de testar tudo, principalmente caso se interesse por vários cursos; já fica aqui um relato pra te ajudar no próximo ano. Outro dia podemos conversar mais sobre!

A dúvida entre biblioteconomia e museologia: 
Os dois cursos possuem ênfases no estudo da produção e organização de conhecimento, mas são direcionamentos diferentes. A gente pode até fazer matérias em comum, mas cada uma tem sua área de atuação. Na época, eu pesquisei a grade das duas (clique aqui e aqui). Lembrando que cada universidade possui um foco, um estilo de currículo.

O que é MUSEOLOGIA?
Estudo e análise das relações entre a natureza, o homem, a sociedade, a cultura e diferentes manifestações no museu, tempo e espaço. (Definição do quadrinho que tem na faculdade pra ajudar os perdidos).

O que faz um museólogo?
A profissão é regulamentada no Brasil. O Conselho Federal de Museologia define as atividades da seguinte forma: 
I – ensinar a matéria Museologia, nos seus diversos conteúdos, em todos os graus e níveis, obedecidas as prescrições legais; 
II – planejar, organizar, administrar, dirigir e supervisionar os museus, as exposições de caráter educativo e cultural, os serviços educativos e atividades culturais dos Museus e de instituições afins; 
III – executar todas as atividades concernentes ao funcionamento dos museus; 
IV – solicitar o tombamento de bens culturais e o seu registro em instrumento, específico;
V – coletar, conservar, preservar e divulgar o acervo museológico;
VI – planejar e executar serviços de identificação, classificação e cadastramento de bens culturais; 
VII – promover estudos e pesquisas sobre acervos museológicos;
VIII – definir o espaço museológico adequado à apresentação e guarda das coleções; 
IX – informar os órgãos competentes sobre o deslocamento irregular de bens culturais, dentro do País ou para o exterior; 
X – dirigir, chefiar e administrar os setores técnicos de museologia nas instituições governamentais da administração direta e indireta, bem como em órgãos particulares de idêntica finalidade; 
XI – prestar serviços de consultoria e assessoria na área de museologia; 
XII – realizar perícias destinadas a apurar o valor histórico, artístico ou científico de bens museológicos, bem como sua autenticidade; 
XIII – orientar, supervisionar e executar programas de treinamento, aperfeiçoamento e especialização de pessoa das áreas de Museologia e Museografia, como atividades de extensão; 
XIV – orientar a realização de seminários, colóquios, concursos, exposições de âmbito nacional ou internacional, e de outras atividades de caráter museológico, bem como nelas fazer-se representar.

Onde um museólogo pode trabalhar?
Museus, galerias de arte, programas e centros de memória, centros de documentação e informação, centros educacionais, escolas, universidades, centro de ciência e tecnologia, jardins botânicos, zoológicos, aquários e planetários, parques e reservas naturais, sítios arquelógicos e históricos, empresas, coleções públicas e particulares, produtoras de filmes e de vídeos, estações de rádio e tv, arquivos, bibliotecas, teatros e cidades-monumento. UFA!

Fiquei com preguiça ou me perdi, pode resumir?
As atividades são na área de pesquisa, preservação/conservação, documentação/informação, interpretação/educação, administração, desenhos de política de cultura e desenvolvimento sustentável.

Queridos, a intenção era fazer este post enquanto estou no primeiro período mesmo, para que ao longo do curso o que eu for aprendendo possa ser acrescentado. Espero que tenha ajudado te aberto os olhos pra uma nova possibilidade, que possui muuuita variedade de pessoas, gostos e áreas misturadas. Se você quer tirar mais alguma dúvida deixe nos comentários que farei o possível pra ajudar!