segunda-feira, 23 de abril de 2018

3 livros para ler (e aproveitar) com calma

We Heart It
A vida anda muito corrida e isso repercute em nossos hábitos como leitores também, já perceberam? Criamos cada vez mais metas para tornar o mês com uma estatística estrondosa de leitura prejudicando o prazer deste hábito. Já conversamos uma vez sobre quantidade versus qualidade aqui no ECC. Pra quem gosta muito de literatura e produz conteúdo sobre isso, de vez em quando precisa se lembrar que a leitura é sobre viagem, autoconhecimento e aprendizado, e não sobre o tempo que as empreitadas vão levar.

Pensando nisso, resolvi listar 3 livros para você aproveitar com bastante calma. Submergir devagar, conhecer intimamente os personagens e tornar-se amigo deles aos poucos, como na vida real mesmo. Nenhuma história abaixo é "difícil" ou "chata" (até porque isso é bem relativo). São apenas experiências que merecem mais carinho. 

1 - Orgulho e Preconceito, Jane Austen: titia Austen sabe o que é sutileza. Sua ironia consegue misturar doçura e acidez. A primeira vez que li esta história não consegui me envolver com os personagens, queria que as coisas acontecessem rápidas como no filme! O romance entre Lizzie (uma das minhas personagens favoritas da vida) e Mr. Darcy também não acontece de repente: são duas pessoas que levam muito tempo para descobrirem o caráter e a personalidade um do outro. Quando reli a história, fui com mais leveza, sem pressa. Já havia gostado antes, mas encarar a história de forma menos afobada deu certo: atualmente, é o meu segundo livro favorito. 

2 - Claros Sinais de Loucura, Karen Harrigton: não lembro se já comentei sobre ele no blog, mas a história deste livro é peculiar. Temos uma menina de 12 anos que está passando por muita coisa. Sua visão do mundo nos faz querer estar cada vez mais perto dela, mesmo assim o ritmo do livro não é estrondoso. Você tem que chegar com calma, e se conhecer quase nada da trama melhor ainda! A protagonista vai te guiando aos poucos, tornando tudo muito mais tocante e te prendendo no enredo a cada página. É um drama incrível!

3 - Os Bons Segredos, Sarah Dessen: outra história que foi aproveitada infinitamente mais na releitura, já que a sede para saber o final não existia mais. Eu só queria aproveitar os personagens, a história em si. É um livro Jovem Adulto com temas sendo tratados de maneira mais realista, sem apelação. Nada é jogado em cima de você, é necessário acompanhar cada detalhe pra que finalmente possamos entender, julgar ou torcer por certo personagem. É a vida acontecendo, mesmo. Nossa protagonista lida com a negligência da mãe enquanto o irmão mais velho está cometendo crimes e atitudes irresponsáveis, enquanto descobre novas amizades e a si mesma. Mergulhe sem saber muito, como se conhecesse uma nova amiga.

Como vocês puderam ver, reler faz a diferença. É quando estamos mais abertos observar a trama de maneira mais ampla. Eu também já dei 6 dicas para sua releitura ser melhor e mais interessante, não deixe de conferir.

Espero que estes livros te ajudem a pegar mais leve no seu ritmo de leituras. Até o próximo post!

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Você precisa conhecer: Laurie Darmon


Como comentei aqui no blog, estou tentando aprender francês sozinha. Ouvir músicas no idioma que estamos estudando é extremamente importante para nos acostumarmos cada vez mais com a língua. A cantora francesa Laurie Darmon entrou na minha playlist pelas indicações do Spotify e ficou de vez. Todas as músicas dela estão na plataforma., inclusive na minha playlist de francês. 

Laurie mescla influências do pop, do indie, - e arrisco dizer - , até mesmo do hiphop. A francesa de 24 anos é compositora também. O primeiro EP foi lançado em 2015, Mesure Première ("primeiras medidas", em tradução literal). Mesure Seconde ("segundas medidas") foi lançado em 2016. Finalmente, saiu no ano passado o álbum Février 91 ("fevereiro de 91") com 13 músicas. Todos associados a  Mercury Music Group. 

O primeiro clip que vou indicar pra vocês é o single mais recente dela. Acho que se você gosta de Lord e Alessia Cara, também vai se interessar pelas músicas da Laurie. O terceiro clip que eu sugiro pra vocês, o primeiro single dela pelo que pude perceber,  deixa essa semelhança no estilo bem clara!


Espero que vocês tenham gostado dessa dica para playlist de vocês, assim como está me ajudando a me familiarizar com francês. Até o próximo post!

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Minha dor de dente


Sem nenhuma preocupação em fazer uma elucidação filosófica sobre o assunto, quero apenas relatar algumas impressões minhas sobre a obra Memórias do Subsolo de Fiodor Dostoievski. Embora não tenha terminado a leitura, tem uma parte que martela em minha cabeça insistentemente, que diz sobre dor de dente. 
"Os seus gemidos tornam-se maus, perversos, vis, e continuam, dias e noites seguidos. E ele próprio percebe que não trará nenhum proveito a sim mesmo com os seus gemidos. Melhor do que ninguém, ele sabe que apenas tortura e irrita a si mesmo e aos demais. Sabe que até ao público, perante o qual se esforça, e toda a sua família já o ouvem com asco, não lhe dão um níquel de crédito e sentem, no íntimo, que ele poderia gemer de outro modo, mais simplesmente, sem garganteios nem sacudidelas, e que se diverte, por maldade e raiva. Pois bem, é justamente em todos esses atos conscientes e infames que consiste a volúpia. "Eu vos inquieto, faço-vos mal ao coração, não deixo ninguém dormir. Pois não durmais, herói, que anteriormente quis parecer, mas simplesmente senti vós também, a todo instante, que estou com dor de dentes. Para vós, eu já não sou o homem ruinzinho, um vagabundo. Bem, seja! Estou muito contente porque vós me decifrastes. Senti-vos mal, ouvindo meus gemidos ignobeizinhos? Pois que vos sintais mal; agora, vou soltar, em vossa intenção, um garganteio ainda pior.  (p.27,28)" 
Deixando que as palavras me invadissem, identifiquei-me rapidamente. Simplesmente me vi. E, de repente, minha consciência não conseguiu se desviar diante do erro que estava em mim: era eu aquela pessoa com dor de dentes. Difícil foi engolir as palavras depois de me ver no papel.

Por que eu me identificaria com um sujeito tão arrogante? Por causa de minha arrogância velada! Quantas vezes fui indiferente ao mundo e seus dilemas, mas desejei que todos parassem suas vidas para viver as minhas dores? Quantas vezes quis atenção de todos perante o meu sofrer, entretanto fingi não ver o choro alheio? E o pior de tudo, senhores, não contradiria Nietzsche quando disse que "a sede de compaixão é a sede de gozo de si mesmo, e isso à custa do próximo".

Não retrato aqui um personagem, mas a mim mesma. Se porventura me gloriei de virtude alguma, esqueci-me de minha deplorável condição. É somente por meio de Cristo que recebemos a justiça que não vem de nós, mas inteiramente dele. Como amar o próximo, se tudo que queremos é demonstrar suposta superioridade a todo instante? Como considerar os outros melhores que nós mesmos, se tudo que queremos é sermos servidos? Ora, não há outra forma a não ser por Aquele que "embora sendo Deus, não considerou que ser igual a Deus fosse algo a que devesse se apegar. Em vez disso, esvaziou a si mesmo; assumiu a posição de escravo e nasceu como ser humano. Quando veio em forma humana, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz." (Filipenses 2: 6-8)

Portanto, que esqueçamos nossas dores de dentes e vejamos que os outros também sofrem. E não só isso, que tenhamos pelos sofredores aquilo que mais desejamos quando o mal nos aflige: compaixão. 


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Projeto de leitura: Os Miseráveis, de Victor Hugo (Tomo 2)

Olha, já faz algumas semanas que acabei de ler o Tomo 2 e o sentimento é incrível. Foi minha primeira meta de ano novo concluída, acreditam? Se você ainda não leu o post sobre o Tomo 1, clique aqui. Lá eu contei um pouquinho da experiência, explico a edição que escolhi comprar, minha opinião sobre a tradução, entre outros tópicos. Hoje vamos conversar um pouquinho mais sobre a história em si.

Afinal, dá pra resumir Os Miseráveis? Eu não vou conseguir te entregar uma definição da história. Victor Hugo criou uma teia com diversos protagonistas. Eu poderia explicar a história do ponto de vista de qualquer um deles, porém a maioria entende (e eu concordo) que Jean Valjean é o fio que liga a todos, é com ele que o autor nos guia.

O livro teve lançamento simultâneo em 1862 (Bruxelas e Paris), tendo sido adaptado pra diversas mídias. Mesmo sendo uma história bem difundida, vou tentar não dar muitos detalhes. Mas já adianto: é tanta coisa que acontece, que não estragará em nada sua leitura se você souber muito.

Jean é um homem que foi condenado a trabalhos forçados após ter roubado um pedaço de pão. Somente este fato nos traz uma característica da história: o autor reflete sobre a lei dos homens e a lei de Deus; aquilo que é legalizado, porém com ética duvidosa. A pena do personagem aumenta quando ele tenta fugir e é recapturado, somando assim trabalhos forçados nas galés para a vida toda.

Ao entrar em condicional, ele encontra D. Bienevu. Comparando muito mal, seria o equivalente ao Mestre Yoda nessa história. É um homem bom, ético, que dedicava sua vida a ajudar os outros, principalmente aos doentes e renegados.  Jean o encara como qualquer outro homem, mas a reação do bispo a uma atitude nada legal dele, o faz se sentir tocado e transformado. Jean Valjean não conhecia o amor: era um homem que odiava tudo e a todos. Agora, um miserável em busca de redenção. Sua história, portanto, se entrelaçará com outros miseráveis. Alguns de bom caráter, outros não.

Um agravante para Jean Valjean é a presença de Javert. Um policial obstinado, completamente imergido e crente na eficiência do sistema penal. Não importa o que Valjean fizer, ele sempre será um grilheta. A presença do policial é uma ameaça a tudo o que ele constrói. Mesmo assim, não o encaro como vilão, mas um miserável como todos os outros, preso a suas convicções que não o permitem entender outras nuances que a vida traz.


E então, existe um vilão? Para mim, existem dois. Para os personagens, seria o casal Thénardier. Pessoas de mal caráter e aproveitadoras, pobres de posses e de espírito. Por outro lado, considerando o caráter extremamente iluminista da trama, a Escuridão seria o segundo vilão. Para o autor, esta é a causa de tudo. E a cura? A Luz, o Progresso, a Razão. Sério, eu devia ter contado quantas vezes a palavra "progresso" aparece na história.

Apesar de toda a preocupação com o miserável, o outro de forma geral, Vistor Hugo foi um homem de seu tempo. É impossível não reparar o nacionalismo e o eurocentrismo em Os Miseráveis. Para quem gosta de História, é como ver o livro didático na prática. Por favor, professores: citem esta obra em suas aulas! Enquanto lia, imaginava o jovem autor, inspirado pelas ideias que surgiam. Mesmo assim, fui surpreendida com certas considerações que parecem ir além: a injustiça com as mulheres e a uma (quase) defesa das variedades linguísticas, por exemplo.


Abaixo, alguns dos trechos e frases que me marcaram:
"Vivemos em uma sociedade sombria. Ter êxito, eis o ensinamento destilado gota a gota pela corrupção que avança."
O Bispo (...) dizia sempre: - Existe a bravura sacerdotal como existe a bravura do coronel de dragões, A diferença - acrescentava - é que a nossa deve ser tranquila. 
 "(...) Temamos a nós mesmos. Os preconceitos é que são os ladrões; os vícios é que são os assassinos. Os grandes perigos estão dentro de nós. Que importância tem aquele que ameaça nossa vida ou a nossa fortuna? Preocupemo-nos com o que põe em perigo a nossa alma."
"(...) Não existe cegueira onde existe certeza."
"É evidente que todos nós falamos com nós mesmos; não existe um único ser pensante que não o tenha experimentado; pode-se dizer que o verbo nunca é mistério mais grandioso que quando vai, no interior de um homem, do pensamento à consciência e volta da consciência ao pensamento. (...) Quando nossa alma está agitada, tudo dentro de nós fala, menos os lábios. As realidades da alma, por não serem visíveis ou palpáveis, não deixam de ser realidades."
"O lugar em que uma planície se junta a uma cidade é sempre dominado por não sei que melancolia penetrante; A natureza e a humanidade fazem-se ouvir aí ao mesmo tempo. As originalidades locais tornam-se evidentes"
"A coragem e a força têm dessas comunicações misteriosas."
"O crescimento intelectual e moral não é menos indispensável que o progresso material. O saber é um viático; pensar é a primeira necessidade; a verdade alimenta tanto quanto o pão. Qualquer razão, sem o alimento da ciência e da sabedoria, definha. Compadeçamo-nos tanto dos estômagos como dos espíritos que não se alimentam. Se existe algo nais pungente que um corpo que agoniza por falta de pão é a alma que morre à míngua de luz" (Existe muito positivismo aqui, eu sei. Eu sou estudante de Ciências Humanas, consigo criticar alguns pontos. Mas achei esse parágrafo lindo.)
Eu deixei muuuuuita coisa de fora. Se você me acompanhou no Instagram sabe que marquei muito mais do que está acima, porém muitos trechos fazem mais sentido dentro do contexto específico ou são pedaços grandes da história que vão se completando. Além de diversas referências que relacionei ao longo da leitura, momentos que não há como transcrever aqui.

É muito legal ver como este livro marcas as pessoas. Coloque #LendoOsMiseráveis na busca do Instagram: existem dezenas de perfis, canais e blogs que se propõem a compartilhar suas experiências. Perguntei no meu Facebook quem já tinha lido e tive um relato de como Jean Valjean marcou a vida da pessoa, mesmo tendo lido há muitos anos. Um colega na faculdade disse que esta trama está no Top3 de favoritos da vida para ele.

Eu agora faço parte do grupo de pessoas que (finalmente) leram esta obra maravilhosa, e espero estar de dando curiosidade para fazer isto também! No próximo post encerrarei este projeto falando sobre a história em outras mídias: cinema e musicais. Fico te esperando!

segunda-feira, 26 de março de 2018

6 dicas práticas de como ler mais


Pessoal, quem lembra do post da Andressa aqui no blog? Foi um sucesso! Estas dicas de leitura foram primeiro colocadas lá no Minhas Confissões. Caso você esteja chegando agora, eu te explico: os dois blogs estão juntos numa parceria, por isso não deixe acompanhar ambos as páginas e nossas redes sociais. Espero que minhas dicas hoje sejam úteis pra vocês. 

1- Comece devagar
Não gosta de ler? Tudo bem, sem problemas! Só que temos que concordar que você precisa pelo menos tentar, pois a leitura é um hábito super saudável. Ajuda a sua mente a envelhecer melhor, sabia? Comece pensando no seu gosto para filmes e séries, mas também o que não gosta de jeito algum. desta forma, você já vai saber pra que nicho literário, autor ou editora deve fazer sua pimeira aposta.

2- Inspiração
Seres humanos são animais sociais. Já ouviu isso? Somos facilmente influenciados e influenciáveis, portanto você vai sentir muito mais vontade de ler se acompanhar pessoas que falam sobre isso! Isso complementa a primeira dica, pois finalmente vai ter acesso as informações que precisa para começar. A internet está cheia de booktubers dando boas sugestões. E o melhor: cada um deles tem um estilo, um gosto diferente. Caso você se interesse por clássicos, siga o canal Literature-se. Leitura jovem? Pam Gonçalves. E essa é apenas a ponta do iceberg de conteúdo de literário que existe. 

3- Pense "por que estou lendo isso?"
A leitura pode ensinar ou intoxicar. Absorva informações saudáveis e que vão te fazer buscar mais conhecimento. Posts do BuzzFeed com memes são ótimos pra passar o tempo (eu adoro!), mas não são o suficiente pra nos fazer avançar. Desafie seus hábitos e seus gostos. Afinal, como você pode dizer que gosta se nunca provou?

4- Ambiente
Ótimo, você já se cercou de todas as variáveis que poderiam te ajudar a começar a ler. Agora é o momento de pensar no que te atrapalha: celular, ambiente barulhento, falta de posição, enfim... Pense com carinho sobre o seu momento de leitura, dê atenção a ele para que seja proveitoso. 

5- Crie metas
Não é pra ficar paranoico! Ao estabelecer certos objetivos você pode se empolgar e buscar que ele seja completado.

6- Dê prioridade a leitura
E por último, mas não menos importante: você realmente quer ler? A desculpa "não tenho tempo" pode ser trocada por "quero ficar jogando", "prefiro dormir", "não é minha prioridade". Não precisa dedicar muitas horas para este hobbie: se conseguiu separar 10 minutos do seu dia para ler uma página, parabéns! Aproveite os momentos de tédio e troque o Facebook por aquilo que vai te enriquecer. Criar um hábito é difícil, mas quando você o internalizar verá que ele se tornou tão natural quanto tudo o que você já faz no seu cotidiano.

Espero que tenha ajudado vocês. Até o próximo post!