quinta-feira, 24 de maio de 2018

O blog cresceu (e eu também): conheça o novo ECC


Eu queria aproveitar essa enxurrada de conteúdo sobre Museologia da última semana para conversar um pouquinho com vocês. Explicar algumas tendências que vêm ocorrendo aqui desde o 2º semestre de 2017, mas agora estão estabelecidas e organizadas. O blog é dinâmico, e acho que as mudanças que aconteceram só o tornarão melhor. Tudo também reflete a minha maneira de lidar com este espaço, então acho natural que de tempos em tempos novas fases sejam inauguradas. Considerem este post um resumão dos últimos 10 meses.

1 - Parcerias
Depois de muito tempo, finalmente encontrei uma pessoa incrível para firmar uma colaboração. Vocês já conheceram a Andressa, ela escreve no Minhas Confissões e já apareceu aqui também. Agora, depois testamos nossa agenda e a combinação dos conteúdos, esta parceria está oficializada, uma vez por mês. Temos também a Alycia, que já escreveu aqui faz muuuito tempo, mas continua me ajudando de vez em quando a monitorar as redes sociais e nós sempre conversamos muito sobre o conteúdo daqui. Apesar de vocês não a verem, ela me acompanha como produtora de conteúdo desde sempre e muito antes disso! No Instagram, eu e a @mmmlivros continuamos juntas!

2 - Organização
Um assunto que se tornou mais comum nas postagens porque resolvi aplicá-lo na minha vida virtual. Os posts saem toda segunda-feira, entre 11h - 13h. Hoje é apenas um tópico extra, por isso foi ao ar na quinta. Quando conteúdo novo sai, eu sempre aviso no Instagram primeiro. Isso nos leva ao próximo tópico.

3 - Menos redes sociais, mais eficiência
Eu coloquei o blog no Skoob, no We Heart It, no meu Twitter... Enfim, uma bagunça que eu nunca dei conta e mantinha por um senso de obrigação em, estar "presente", mesmo nunca tendo conseguido ocupar estes espaços efetivamente. Agora, você pode interagir comigo pelo Instagram e pelo Facebook, e entender mais do visual do blog pelo Pinterest. A busca constante é a relação de vocês com o conteúdo produzido fique dinâmica e organizada.

4 - Conteúdo
Além de literatura, comportamento, organização, estudos e cultura nerd, finalmente a Museologia está definitivamente inserida nos temas do blog! Espero que nossas futuras conversas sobre patrimônio cultural, identidade, museus, comunicação, ente outros, estimule vocês sobre estes assuntos.

5 - Template novo
Calma, gente! Não vai mudar de novo! Este layout que você está vendo foi lançado em 8 de fevereiro deste ano, portanto faz parte destes acontecimentos. Por outro lado, eu já fiz um post falando somente sobre ele, é só clicar aqui.


Se vocês está chegando agora, seja bem-vindo(a)! Tudo aqui é feito com muito carinho, espero que goste. <3 É bom lembrar que a Maratona Literária de Outono já começou, então corre pro Instagram que a TBR já está lá!

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Você precisa assistir: Perdidos no Espaço (2018)



Após a intensa semana que conteúdo sobre Museologia, resolvi dar uma pausa nos livros e discussões. Como já viu no título, hoje é dia de indicar uma boa série!

Quando a Netflix lança mais uma produção original, de modo geral corremos para assistir. Só que quando a série envolve fantasia ou ficção científica, o nicho de público é menor e as desconfianças com a qualidade da narrativa aumentam. Já temos produções incríveis da cultura pop para usar de comparação com os que estão chegando agora, e isso pode nos frustar ao assistirmos algo novo.

Após a Terra alcançar condições de vida instáveis, os humanos passam a ser enviados para o espaço. Embora só os mais qualificados, que passam no teste como realmente aptos a contribuir para a nova sociedade. Somos apresentados a família Robinson durante a fuga deles da estação espacial, que por motivos inicialmente desconhecidos, precisou ser abandonada. Aqueles que embarcam as naves Júpiter acabam sendo lançados em um planeta sem nome, localização conhecida ou ecossistema estudado e tentarão retornar a estação.








A dinâmica familiar brilha aqui. Todos têm seu momento, com personalidades sendo exploradas pouco a pouco. Crises e reconciliações que precisam ser tratadas durante a busca pela sobrevivência. As irmãs foram minha dupla preferida. Eles não estão sozinhos, então a presença dos outros "colonizadores" interfere nas relações. Temos uma vilã sonsa e irritante e que funciona bem na história.

Além disso , temos a aparição de um robô nunca antes visto (não é spoiler, está no trailer) que traz uma sensação de desconfianças de descobertas. Se você viu E.T, vai relacionar ao clássico com certeza, mas o foco aqui realmente é a luta para sobreviver neste vasto e desconhecido Universo, e a tentativa de lidar com os fantasmas do passado. Inclusive, achei a ambientação e os efeitos muito bons. Dá para acreditar e se envolver com a hostilidade e o encanto de onde eles foram lançados.


Algo que descobri fazendo este post é que o lançamento Perdidos no Espaço é um remake de uma série exibida entre 1965 e 1968, de mesmo nome e de enredo parecido. A primeira temporada ainda foi exibida em preto e branco. Seu tom era mais humorístico, tendo sido cancelada antes de estrear a quarta temporada.

Portanto, não temos dramas humanos profundos ou uma ficção científica revolucionária, mas é uma história super interessante de 10 episódios que não se estende mais que o necessário e cumpre o que sua premissa promete! O primeiro episódio já te captura. Recomendo a 1ª temporada e estou ansiosa para a continuação.

Caso já tenha assistido, conta para mim o que achou nos comentários. Até o próximo post!

domingo, 20 de maio de 2018

Você valoriza a sua história?









Oi, pessoal! Quero aproveitar esta semana de conteúdo especial e bater um papo com vocês sobre memória. Acho que pelo título do texto vocês já devem estar imaginando onde quero chegar. Vamos lá?

Onde você nasceu, os lugares que frequentou, os amigos que fez, os presentes que ganhou... Cada elemento desses, entre muitos outros, compõem o seu repertório. Aquilo que te faz enxergar o mundo da maneira que só você enxerga. Somos diferentes, e nossa educação (em casa, na escola, na vida) e os ambientes onde estamos, influenciam nisto. 

Agora, me diz uma coisa: por que você não vai ao museu? Quando vai, o que te motiva? Bem, existem uma infinidade de fatores, mas eu quero me restringir a identificação. Para ajudar, um exemplo: há um ou dois anos, houve no Rio de Janeiro uma exposição gratuita de aniversário do antigo programa Castelo Rá-Tim-Bum. Foi um sucesso! Todos foram, inclusive eu e minha família. É necessário ressaltar que o espaço onde ela ocorreu possui exposições gratuitas o ano inteiro, sempre renovando-se, embora receba picos de público em situações bem específicas como esta. 

Vamos avançar um pouquinho: quando as pessoas viajam para Paris elas pre-ci-sam ter a foto com a Monalisa, que está no Louvre. Bem, mas muitas não têm a mínima vontade de passear nas exposições do Brasil. "No Louvre é melhor, tem muito mais coisa", você pode dizer. Sinto te informar: as instituições brasileiras, apesar dos recursos escassos, são flexíveis e criativas, cheias de atividades e conteúdo incrível. 

Também podem dizer: "Se eu não for no Louvre, é como se não tivesse ido a Paris. Todos vão lá." Agora você chegou no ponto! Identificação. Pertencimento. Cultura de massa. Caso você seja familiarizado com outros aspectos desta discussão, aviso minha intenção não é aprofundar-me em um debate político ou ideológico sobre cultura. Para isso, acho melhor um post exclusivo para ampliar certos conceitos. Hoje, quero que você olhe para sua casa e perceba o universo incrível que tem a sua volta. Simples assim.


Uma foto com sua mãe, o álbum de família, os vídeos do Instagram, seus livros da escola que ainda estão guardados. O bairro que você cresceu e as músicas que ouviu. Tudo isso importa. O macro é composto por indivíduos que compartilham (ou não) vivências. Ninguém é neutro ou objetivo, pois estamos permeados de diversas circunstâncias.

Muitos teóricos ressaltam o ser humano e os objetos como um só. Nosso cotidiano é permeado pelos usos que atribuímos a eles, e as coisas tornam-se partes importantes de nossas ações individuais e coletivas.  Não somos partes independentes e desconexas, pelo contrário. E isso se aplica aos saberes intangíveis também.

Você valoriza a sua história? Quando temos consciência de quem somos, por consequência enxergamos melhor aquilo que ainda precisamos fazer.  Não vamos em museus porque muitas vezes nosso repertório educacional não trouxe condições para que entendêssemos que aquilo faz parte da nossa construção como coletividade, ainda que traga representações ultrapassadas ou careça de histórias ainda renegadas, estes aspectos poderiam ser ressignificados.

Não gostamos de museus porque eles, na maioria das vezes, possuem o estereótipo de vindos de um passado muito distante, como cápsulas do tempo. Embora até uma "cápsula do tempo" não seria algo inerte, porque você já teria entrado nela. O espaço já teria te recebido, e portanto, haveria se influenciado. Como diz a música, "nada do que foi será".

A memória é construída e vivida pelas pessoas. O museu não é (e não pode ser) estático, ele está no século XXI. Da mesma forma, a sua história não é apenas aquilo que está ou possivelmente entrará nele. "Você valoriza quem você é?", seria uma pergunta boa para título também.

Espero que esta conversa nunca se acabe! Gostaria muito de ouvir a opinião de vocês. Se ainda não segue o blog nas redes sociais, os links estão todos na barra aqui ao lado dos posts. Amanhã é segunda-feira, então voltamos a programação normal do blog.

Aguardo vocês!

sábado, 19 de maio de 2018

Sobre as diferentes vocações na Museologia


Olá, pessoal! Nossa série de posts chegou em um ponto crucial. Já conversamos sobre o curso, sobre algumas curiosidades e fatos da área, além de experiências. Hoje, resolvi abordar a conversa que a Museologia tem com outros campos do conhecimento. Somos habituados a "escolher um lado", desde o ensino médio. Humanas ou Exatas? Linguagens ou Biológicas? Tenho me convencido cada dia mais que os conhecimentos não podem ser organizados em caixinhas.

A Museologia lida com Cultura. E afinal, o que é cultura? Para este contexto, vou utilizar a definição que a considera como conjunto de características biológicas, condições sociais, condições ambientais; costumes e perspectivas; comportamento apreendido e transmitido. Para exemplificar: temos museus sobre diversos assuntos: científicos, históricos, artísticos, enfim... uma infinidade de assuntos são abordados dentro de perspectivas museais. Na minha turma tem gente que queria Arquitetura, História, Pedagogia, Administração, Cinema... Enfim, muitos interessem que conversam!

Pensando nisso, aproveitei e chamei a Júlia! Ela faz comigo o curso, mas tem uma área de interesse pouco provável para o senso comum em relação a Museologia: biologia! Confiram o depoimento dela:

O curso de museologia já era uma opção, tendo em vista que queria biologia já para poder trabalhar na divulgação científica como o Museu Nacional ou o Ciência Sobre Tendas, além da parte de pesquisa e a prática. Com um acaso da vida (chamado "nota de corte do SISU"), acabei entrando na minha 2ª opção, onde nas primeiras aulas fiquei apaixonada não só pela faculdade em si, mas também as aulas que tive logo no 1º período e as oportunidades que a escola do curso proporcionam ao nosso aprendizado, além de conhecer mais sobre a área de trabalho e as diversas ações de um museólogo. Temos aulas voltadas para assuntos de biologia e patrimônio natural, que já era um grande interesse meu e assim dá para perceber a interdisciplinaridade que se constrói a museologia. Mudei bastante a minha visão de mundo e espero poder aplicar isso nos projetos acadêmicos e futuramente ajudar nessas relações entre o indivíduo, o objeto/espaço musealizado e o local de aprendizagem.

E agora, conheçam a Thamires! A formação técnica dela é em Administração:

"Quando pensamos nas possibilidades de áreas sempre se imagina que as pessoas gostem de coisas interligadas ou variações de uma mesma função, mas nem sempre é assim, fora quando podemos achar características que se complementam nas áreas mais distintas, e foi assim que aconteceu comigo com a Museologia e a Administração. Ao entrar no Ensino Médio e me deparar com escolhas do que seguir, busquei algo que fosse semelhante ao meu perfil e gostos, sabia que gostaria de lidar com pessoas e com projetos, e foi ai que surgiu a administração, me identifiquei de todas as formas e é uma área que me ajuda muito ate hoje em diversas situações, tanto pessoais quanto profissionais, me ajudou a me moldar e a pesar escolhas, porém, não era ela que me completava no que eu queria atuar por toda uma vida, fora passar mais anos vendo novamente tudo que já tinha visto no Técnico. A área da cultura sempre esteve presente na minha vida, desde pequena minha mãe me incentivava a buscar e me permitia acesso mesmo que não fosse de seu gosto, sempre a favor de me transmitir o máximo que pudesse, e era ali que eu me via, conseguindo juntar hobbies, gostos e situações que eu adoraria lidar no dia a dia, seja por prazer pessoal e seja somente pelo profissional. Por mais que nao fosse o esperado por todos, que eu não tivesse seguido na administração mesmo ou ido cursar Direito como era o desejo deles, eu sabia que não me sentiria realizada em algo que não fosse somente da minha vontade, e foi buscando essa realização que decidi pela museologia antes mesmo do ano de vestibular e sem nenhum apoio. E hoje quando me perguntam, e o que tem haver uma área com a outra, como você saltou de Administração pra Museo, eu já nem as enxergo com tanta diferença. Duas áreas que me completam e trabalham em conjunto, pelo menos na minha visão, e principalmente após ter feito o curso de Plano Museológico para administração de museus, que é nada mais nada menos que os planos de negócios que passei o meu ensino médio fazendo, só que focados para área dos meus sonhos."

E por último, mas não menos importante, leiam o depoimento do Renan!

No inicio eu queria cursar Cinema e Audiovisual, mas ao longo do meu pré-vestibular eu conheci a Museologia e a grade me chamou a atenção. Nos primeiros períodos foi um pouco difícil acostumar com o ritmo do curso, a carga de leitura e com o turno por ser um curso integral, agora no terceiro período já tenho uma noção de qual área quero seguir, e é o que me mantém no curso. A área de Conservação e restauração tem graduação própria, mas para mim a museologia é a base para entender todo o funcionamento da arte e como ela funciona nos museus. Ainda tenho muita vontade de seguir o caminho do audiovisual, pretendo fazer uma segunda graduação, mas tudo depende do decorrer da museologia para decidir qual, Cinema ou Conservação.


Espero que tenha ajudado vocês a expandir os horizontes! Até amanhã!

sexta-feira, 18 de maio de 2018

7 fatos que descobri cursando Museologia


Já falamos sobre a origem da área, como a formação está atualmente e algumas histórias polêmicas. Hoje eu vou abrir meu coração! Quando eu entrei na faculdade de Museologia nunca imaginei que um curso que lida com mediação cultural, educação e tantas outras áreas teria tantas peculiaridades. Ao longo deste um ano e meio, a gente vai se familiarizando com situações e organizações muito próprias da área, de (quase) nenhum conhecimento público. Até agora.


1 - ICOM, ICOFOM, IBRAM
Nem sabia que essas organizações existiam ants de entrar na faculdade. Já mencionei um pouco sobre isso neste post, mas hoje é o dia de você sair daqui fera, sabendo tudo das esferas públicas. 

ICOM: a sigla é em inglês, mas traduzindo fica "Conselho Internacional de Museus'. O ICOFOM é o Comitê Internacional de Museologia, alguns consideram o "braço teórico" do primeiro. E o Ibram é o Instituto Brasileiro de Museus, sujeito ao Ministério da Cultura.


 2 - É muito raro um aluno de Museologia ter desejado entrar neste curso
A maioria cai de paraquedas. Normalmente, a nota no Sisu não alcançava o curso dos sonhos, mas para não ficar sem ocupação ou desperdiçar o Enem, arriscam a Museologia. Muita gente sai, mas também muitos se descobrem na área. Este é o meu objetivo ao falar do meu curso: quem sabe você aí que está me lendo não pode ser um futuro museólogo?

3 - Os grandes museus publicam, pesquisam e divulgam seu material.
Museus não são apenas o que você vê na exposição. Esta é apenas a ponta do iceberg, e abaixo dela você encontra equipes, reserva técnica, eventos e atividades, mas principalmente, pesquisa científica. Quero ressaltar que estou me referindo especialmente aos grandes museus, com recursos razoáveis. Se você for no site do Louvre, British Museum, Museu Histórico Nacional, Museu da República, MASP - entre tantos outros que ficaria o post inteiro citando -, vai encontrar uma variedade imensa de pesquisa produzida.

4 - Todo mundo se conhece (ou já ouviu falar do outro)
Eu tenho professores que estão/estiveram em equipes em praticamente todos os museus que eu vou. A Museologia é uma área recente, em expansão. O mercado de trabalho não é tão escasso como muitos pensam, mas também não é extraordinariamente extenso. 


5 - Museus não guardam tudo
Não são depósitos. Museus que não tem política de descarte ou doação enfrentam sérios problemas. O trabalho do museólogo pode lidar com estas questões: o que é relevante ser guardado? Que histórias devem ser divulgadas? Por isso, apesar de muitos não nos conhecerem, nossas decisões repercutem na sociedade de maneira muito clara.

6 - Somos mais necessários do que você imagina
É lei, galera: segundo o Ibram, existem 3.200 instituições museológicas no país todo (cadastro de 2010) e todo museu no Brasil deveria ter um museólogo. Normalmente, profissionais de outras áreas acabam assumindo a direção das instituições. A situação é problemática porque aqueles que estudam Museologia possuem uma formação teórica e prática específica. A maneira que um antropólogo, historiador, professor ou biólogo enxerga os objetos é diferente do ponto de vista teórico de um museólogo. Além disso, organizações privadas também podem possuir centros de memória particulares, famílias e artistas podem preocupar-se na organização de seu acervo, enfim... Estamos em mais lugares do que a maioria pode enxergar.

7 - "Museologia? Que legal, vai trabalhar com música!"
NÃO, NÃO e NÃO. Descobri que assim como eu, muita gente não teve contato com a existência da área durante a vida. Que fique claro agora e para sempre que Museologia não é sobre música. 
Desde já agradeço. 

Esta lista é um pequeno fragmento de como tem sido minha experiência no curso. Espero que estejam gostando e compartilhando a série com seus amigos, assim todo mundo pode conhecer um pouquinho mais deste universo. E lembre-se: a semana ainda não acabou! Até a amanhã!