segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Quem dubla?


Sabe aquela sensação de já conhecer uma voz quando assiste um filme dublado? A explicação é simples: muitos dos nossos dubladores são extremamente versáteis, além do círculo reconhecido ser pequeno. As empresas usam contratos fixos ou chamam por convite a cada obra, mas as duas formas podem gerar certas repetições de elenco. Por isso, quando aparecem aqueles vídeos com os dubladores no Facebook todo mundo pira!

Recentemente, o nicho da dublagem se abriu pra mim no Youtube pelo canal "Quem Dubla?" , em que Manolo Rey e Philippe Maia falam sobre dublagem, seus prazeres e desafios fazendo diversas entrevistas e brincadeiras. Além deles, descobri os canais do Guilherme Briggs, Wendel Bezerra e o Dubladiando (Charles Emmanuel), além de um ou outro vídeo aleatório pelo Youtube. É uma profissão presente no que assistimos e amamos, porém nem todos tem noção disso. 

Assistir os vídeos com suas imitações "ao vivo" e suas experiências é muita nostalgia. Fiz uma playlist com os meus favoritos até agora, espero que goste de conhecer um pouco mais sobre o que você assiste!


Agora é só usar essa porta pra explorar esse nicho de canais. Até a próxima!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Releitura: 6 dicas para aproveitar ao máximo


Já conversamos aqui no blog sobre a importância de ler com qualidade, independente do quanto você leia. Parece meio óbvio, porém é bom nos lembrar disso quando estamos em meio ao universo de produção de conteúdo ou compartilhamento. Hoje, quero abrir a discussão sobre as releituras.

Tecnicamente falando, existem livros melhores do que outros, sim. Subjetivamente e para inspirar outras pessoas a criar este hábito podemos relevar este fato porque ambos podem te acrescentar alguma coisa visto de diversos ângulos - informações históricas contidas, um personagem que ensinou algo, representatividade cultural, um(a) autor(a) com uma trajetória de vida incrível, apego emocional - logo, cada (re)leitura tem um papel. Porque se a intenção é conhecer a história de novo, e nenhuma experiência é igual a outra, objetivos e relações diferentes vão acontecer, mesmo sendo uma trama repetida. Por exemplo, já li Percy Jackson diversas vezes: cada momento encontro um novo detalhe, faço uma nova teoria sobre um personagem. Não tenho conhecimentos técnicos, mas a minha releitura foi puramente afetiva e o meu propósito alcançado.

Então, quando ouço alguém falando que deixou de gostar de um livro porque o releu penso que pode estar tudo bem, pois o propósito era "checar a técnica" após um tempo de experiência como leitor, como pode estar tudo mal, porque o propósito de apenas "sentir de novo" foi perdido. 

E sabe por que isso é importante? Porque a chance de errado é grande. Se a leitura é um caminho com desenvolvimento de início, meio e fim e uma etapa foi retirada, não haverá novidade. Você já sabe o desfecho da trama, lembre-se disso. Quando pegamos um livro pela primeira vez há expectativa de ser bom e muitos desistem caso ela não seja correspondida. A preocupação aqui é a mesma: ser bom, apesar dessas questões mais específicas. 

Reler é uma experiência interessante. Você se conhece como leitor, ganha intimidade com o livro. Não há pressa em acabar pra descobrir, há calma para desfrutar.

Por isso, resolvi dar algumas dicas:

1. Escolha com sabedoria o livro e a sua intenção. 
Pra exemplificar: ao ler Orgulho e Preconceito pela segunda vez minha intenção era entender melhor os diálogos e aproveitar mais a escrita da Jane Austen, porque da primeira vez uma das minhas curiosidades era ver se estava igual no filme e acabei correndo demais.

2. Não demore muito. Há momentos em que ao terminar um livro você já sente que vai precisar ler de novo.
Pra exemplificar: em 2015, li Magnus Chase e a Espada do Verão, e apesar do choque com a quantidade de informações sobre a mitologia nórdica, consegui fazer diversas considerações. Na #MLI2017 fiz uma releitura pra me reaproximar da mitologia, porém funcionou mais ou menos, porque todas as outras considerações eu havia esquecido, inclusive muitas coisas da própria história.

3. Sabe outro idioma? Procure a história nele. Uma forma de treinar e colocar o "fator novidade" de volta

4. Textos de apoio. Essa prática se tornou conhecida pra mim com a Tatiana Feltrin, pois nos vídeos dela envolvendo livros complexos, com cargas históricas ou com peculiaridades na tradução, têm indicações dela de textos que abrem os horizontes sobre os assuntos.
Pra exemplificar: normalmente, quem tem o hábito de estudar a bíblia procura traduções distintas, comentaristas, faz anotações. É o mesmo raciocínio.

5. Releia livros que foram obrigatórios e que você não gostou. Esta dica é pra quem já se acostumou com a releitura e quer testar seu amadurecimento como leitor, pois pegar algo que você não gostou é sempre complicado.
Pra exemplificar: no 6° ano, eu tinha 10. Uma professora de português passou O santo e a porca, de Ariano Suassuna. Odiei a história com todas as minhas forças durante muitos anos. Até que numa maratona do ano passado o peguei pra reler e se tornou um dos melhores livros de 2016. Sou uma leitora diferente do que em 2010, simples assim.

6. Não se preocupe com os números
Quem ama ler pode pensar: que vida pequena pra tantos livros! Mas se a qualidade importa mais que a quantidade, investir mais algum tempo em alguma obra pode ser mais bacana do que pegar uma inédita. Pense nisso!

Espero ter incentivado você a fazer alguma releitura pendente ou testá-la de uma forma nova. Quero ler a opinião de vocês sobre, hein!

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

6 erros de principiante na Bienal do Livro


2015

Eu sou apaixonada pela Bienal do Livro, e pra quem não sabe, começa nesta quinta-feira (31) e vai até 10 de setembro. Escrevi sobre em 2013 (Manual de sobrevivência 1, 2 e 3.) e 2015 (dicas e a minha experiência). Recomendo dar uma lida nisso também.

Depois de ensinar e repetir o que você devem fazer, hora de pensar justamente o contrário. Algumas coisas são muito básicas, então vale a pena prestar atenção pra melhorar o seu passeio corrigindo algumas situações simples.

1. NÃO acompanhar as redes sociais:
As editoras, os autores e a organização da Bienal utilizam suas redes sociais para informar e confirmar eventos, inscrições e mudanças de horários. Você precisa checar também a programação oficial do evento somado ao que cada editora pretende fazer em seu estande. 
Os autores não costumam estar todo dia, toda hora. As atividades infantis também tem horário marcado. Não vá pra lá achando que em cada esquina vai ter algo a todo instante. Para aproveitar tudo é preciso ser flexível, mas ter um planejamento básico é interessante.

2. Comprar muito no pavilhão laranja

Este é o primeiro pavilhão. Tem o azul - onde estão as grandes livrarias e editoras, ou seja, a maior parte dos eventos aqui são específicos - e o verde - normalmente, onde ficam as áreas de eventos da própria Bienal, como grandes espaços infantis e auditórios -. Neste pavilhãobasicamente editoras infanto-juvenis, publicações universitárias, autores independentes e estandes de livrarias menores. Dependendo do seu meio de transporte, você terá que voltar para a chegada para acessá-lo, isso inclui passar novamente por este pavilhão
Prefira comprar nele neste momento, talvez procurando algo que não conseguiu nos estandes das próprias editoras. As exceções? O bom senso te diz: algo raro ou muito específico não tem porque esperar.

3. NÃO comparar preços 
Apesar do evento ser comercial não existe promoção para tudo. Nos últimos dias, aparecem com mais frequência e ao longo da Bienal, muitos descontos progressivos são oferecidos. Ainda assim, dê uma checada na internet. Isso também se aplica aos pavilhões: sabe que um livro está super popular? Então ele provavelmente estará em diversas livrarias. Vá com tudo anotado. Não leve o livro na emoção ou pela pressa.

4. Achar que não vai sentar no chão:
O Riocentro é imenso. A Bienal do Livro é um evento comercial com algumas atrações culturais, então filas para pagar ou assistir sempre vão existir, em todo canto e para quase tudo. Vá com uma roupa confortável pra poder se jogar nos cantos e bolsas práticas para carregar o necessário, porém sem confusão.

5. NÃO levar comida e água
É tudo caro. Se você tem dinheiro sobrando, ótimo. Se vai passar o dia inteiro lá, dá pra almoçar também. Mesmo assim, leve garrafinhas, biscoito, pão com mortadela, qualquer coisa. Gaste com sabedoria nos livros, não desperdice com os quiosques ou com o primeiro picolé que aparecer na sua frente.

6. Celular quase descarregando
Vai com alguém? Isso se torna ainda mais importante. Lá dentro é muito fácil de se perder, mesmo com as "ruas" entre os estandes sendo sinalizadas. Escolha pontos de referências caso separem-se para ajudar, mas o celular é o melhor recurso nesses momentos, não se esqueça!

Bônus: não acompanhar o instagram do Estação com cor! Seguindo o perfil do blog (@estacaocomcor) vocês vão poder ver muito conteúdo sobre a Bienal. No dia que eu for, vai ter muito stories também, então não perca!

Espero ter dado uma boa ajuda. Curta bastante o evento, vale a pena!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Você precisa conhecer: Evynne Hollens



Pensa numa voz boita, uma pessoa que conhece as técnicas e de vez em quando ainda te ensina a usá-las; essa é Evynne Hollens. Talvez você já conheça o marido dela, Peter Hollens: os covers dele a capella normalmente espalham-se pela internet! Há muitas trocas entre os canais dos dois. A família é uma fofura: o filho deles de vez em quando aparece no Instagram dela pra deixar a gente babando. Recentemente ela lançou um álbum intitulado "Once Upon a Dream - the Disney Princess colection" e este trabalho rendeu clipes lindíssimos. O mais famoso é o Evolution of Disney Princess:



Mesmo com este último enfoque, os vídeos dela são super ecléticos. Evynne também é super presente nas redes, respondendo pedidos e mostrando que realmente está próxima de seu público. Eu mesma já fui respondida no YouTube algumas vezes. Resolvi fazer uma playlist pra dar mais uma amostra do trabalho dela pra vocês:



Lembra que eu disse que ela te ensina técnicas de canto? Na série "How to sing! - Voice Lesson Series" (em tradução livre, "Como cantar! - série de lições vocais"), ela dá muitos exemplos. Se você sabe inglês, aproveite.


Espero que tenham gostado dessa sugestão de canal, além de ser um acréscimo pra sua playlist. Até a próxima!

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Livros clássicos "fáceis" de ler


Hoje meu foco é retirar da sua mente qualquer medo ou preconceito em relação a clássicos. Primeiramente, e por isso o uso das apas no título, não existe realmente clássicos fáceis ou difíceis - o que acontece é a sua confiança no seu próprio vocabulário, e além disso, sua facilidade de deslocar-se para outras épocas e contextos. São pré-requisitos para iniciar qualquer leitura, porém o medo dos clássicos parece colocar uma barreira entre essas obras e o público. 

"Clássico" é como se fosse uma caixinha a parte, todavia contém diversos gêneros dentro dela. Se você não gostou de um, não significa que terá dificuldade com todos.

Mais alguns pontos pra você pensar:
a) O que é um clássico? Indico estes vídeos (clique aqui e aqui) com explicações muito simples!
b) Nem todo livro antigo é clássico;
c) Nem todo clássico é antigo;
d) Não tenha medo, a experiência ler algo fora da sua área de conforto é muito boa.


O Fantasma de Canterville, de Oscar Wilde:
Apesar do nome, não há terror algum aqui. É uma comédia rápida, pra ler em uma sentada. Oscar Wilde - mais conhecido pela obra O Retrato de Dorian Grey - era eclético. Foi escritor, poeta e dramaturgo britânico de origem irlandesa. Vale pena conhecer Sir Simon, pois é impossível não achá-lo no mínimo curioso. As situações e os diálogos envolvendo a família americana que conhece o fantasma são divertidas, com suas peculiaridades; por exemplo, em vez de temer os barulhos à noite, oferecem ao espírito da casa um produto contra a ferrugem para suas correntes! O final também é ótimo. Dá todas as respostas e resolve o problema central. Recomendo.


Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida:
Mais uma comédia, e agora se passa no Rio antigo. Na época denominada Romantismo para a literatura, de uma forma básica e superficial, falava-se em  amores platônicos, acontecimentos históricos nacionais, a morte e seus mistérios. Aqui é justamente a exceção da regra! Nosso protagonista é um malandro, um anti-herói. Muitas tramas, confusões. Uma linguagem fácil, sério. Eu ria demais! Literatura nacional de respeito. 
Dica: procure contos antes de iniciar as obras mais "pesadas". Diversos outros autores clássicos brasileiros, apesar de terem essa ou aquela obra famosa, escreviam histórias de diversos tamanhos e estilos. Para os mais apressados ou medrosos é uma alternativa. Por exemplo, se quer conhecer Machado de Assis devagar, leia A Pianista. 

Orgulho e preconceito, Jane Austen:
Depois de rir bastante, você pode arriscar mais um pouquinho com esta obra um pouco maior, ou nem tanto, pois estamos muito mais acostumados com leituras românticas, certo? A Srta. Austen (sim, senhoria. Ela nunca se casou.) tem uma escrita sarcástica, mas não de rolar de rir, mas de nos fazer sentir a Inglaterra rural e nos fazer pensar no ontem e no hoje. É a minha autora favorita no momento. 
Lizzie Bennett e suas irmãs tem umas situações interessantíssimas, e Darcy é uma trama a parte por si só. Se você gostar, corre pra pegar Persuasão e Mansfield Park. São protagonistas diferentes de Elizabeth, não se esqueça, porém igualmente interessantes.

O Sol é para todos, Harper Lee
Gostou de pensar sobre as relações humanas? Este livro é sobre justiça, igualdade e lida com o racismo nos Estados Unidos na década de 1930. Atticus é um advogado que defende um negro acusado de estuprar uma mulher branca. Narrado por uma criança de 6 anos, os problemas que estão na sociedade são refletidos e narrados pela sua ingenuidade. Já comentei um pouco dele aqui num post. Vale super a pena, e o apego aos personagens é algo quase automático.


Bônus: qualquer livro da Agatha Christie 
Ter contato com a Rainha do Crime é algo simples de se fazer. Há milhares de edições por aí, formatos online, traduzidos ou em inglês. Há as obras mais famosas como Assassinato no Expresso do Oriente ou E não sobrou nenhum. Já tive contato com Cipreste Triste, Morte no Nilo, Unexpected Guest, O homem do terno marrom (minha primeira leitura dela!), Os Crimes ABC e Mistério no Caribe. Recomendo todos e espero ler mais obras dela.

Enquanto fazia este post vieram muitos clássicos na minha mente, porém achei melhor focar só nesses. Quem sabe numa próxima eu escrevo focado em apenas um gênero ou autor? Fiquei empolgada!